Sunday, March 21, 2010

Táxi [AVISO: este post contém asneiras explícitas]

Tenho andado tanto de táxi que já conheço uma série de taxistas.

Ainda ontem eu explicava para onde era e o fulano me dizia:

- Eu sei, eu levei 'cê lá, da ôtra veiz, cê num lembra?

E realmente, depois de olhar para a cara dele, sim, lembrava.

Têm-me acontecido algumas situações caricatas, daquelas que só a noite pode proporcionar.

Ainda assim, agrada-me dizer que é raro o taxista que me tenta sugerir um caminho que não tem nada a ver com o destino (para dizer a verdade, ainda só aconteceu uma vez), e ainda não tive uma única viagem em que pagasse mais que o normal. Uma pessoa até consegue ter fé neste país...

Mas não é isso que me leva a escrever este post.

O que me leva a escrever este post é a viagem de hoje.

Estava tudo a correr bem e já estávamos a chegar ao destino, quando de repente o homem mete o pisca e vira onde não devia.

Mal começa a fazer a curva exclama:

- Ai, que eu acho que já me enganei!

Meio desconfiado, disse:

- Pois, tinha sido mais fácil ter seguido em frente...

Mas foi quando ele disse a frase seguinte que eu soube o que tinha a fazer:

- Já fiz asneira, foda-se! Eu devia era ir para o caralho!

Soube imediatamente o que devia fazer.

E fi-lo!

Puxei do iPhone...

E pus a gravar!

O homem pára no próximo semáforo, vermelho, mete o pisca para a esquerda e diz para consigo:

- Atão mas porque é que eu vim para aqui, caralho? Ai, mãezinha, que cabeça a minha.

Na estrada em que íamos entrar havia 8 faixas.

2 para cá, separador, mais 2 para cá, outro separador, 2 para lá, separador e outras 2 para lá.

O sinal fica verde e ele arranca.

Vê as duas faixas para cá, vê o separador e entra nas duas faixas a seguir.

Mal entra apercebe-se das setas no chão a apontar contra nós.

- Ai, mãezinha, atão mas o que é que eu fiz? É o que eu digo, eu hoje não estou cá. Hoje vale mais ir para casa.

O homem fica mais atrapalhado, abranda, pensa no que fazer, encosta-se à direita e começa a fazer inversão de marcha.

Mal fica perpendicular à estrada olha em frente e tem provavelmente a pior visão do dia: dois polícias a olhar para ele.

Um dos polícias tinha as mãos para o lado como quem pergunta "Mas que vem a ser isto?" e começa a andar na direcção do táxi.

O taxista lamenta-se:

- Olha, enganei-me, pá. Eu palavra de honra... Vou-me foder e com razão!

Termina de fazer a inversão de marcha ao mesmo tempo que o polícia se aproxima do carro.

O taxista abre a porta do lado do passageiro, junto ao polícia, e diz:

- Desculpe lá mas eu hoje não estou cá, pá. Amigo, desculpe lá, eu não sei como é que fiz isto.

Ouvindo a gravação tenho que dizer que parece que ele está a dizer ao polícia que volte noutra altura porque neste momento não está lá ninguém.

O polícia pergunta-lhe:

- Mas por onde é que você entrou?

- Eh pá, entrei ali, feito estúpido, eu hoje estou...

- Vá lá, tenha cuidado com os carros que vêm aí.

- Obrigado, pá!

O homem começa novamente a andar e continua a lamentar-se:

- Ai, minha santa mãe... E eu não bebo, olha se bebesse, ainda se bebesse dizia "olha, bebo"... Bebo água, foda-se... E eu não bebo... Agora imagina se eu bebesse... Ai minha santa mãezinha, que asneira tão grande...

No banco de trás eu sorria, com o iPhone a gravar.

No meio de tudo isto ainda houve um ponto em que o homem desligou o taxímetro (acompanhado por um "foda-se, não vai pagar mais nada!"), o que fez com que acabasse por pagar o mesmo que costumo pagar.

Só demorei foi mais tempo e cheguei ao meu destino com uma gravação de 8 minutos das mais variadas asneiras.

E cheguei bem disposto.

Saturday, March 20, 2010

Lenços de papel

Hora de ponta.

As portas do comboio fecham e a composição inicia a sua marcha.

Pouco depois um homem entra na carruagem e dirige-se a todos os presentes com voz firme e discurso ensaiado à medida que atravessa a multidão:

- Muito boa tarde, senhoras e senhores. Quem costuma viajar neste comboio sabe quem eu sou. Sabe que sou sem abrigo e sabe que sou pessoa de bem. Também sabe [...]

O discurso continuou até ele anunciar que tinha consigo lenços de papel para vender; também dizia que mesmo que não necessitassem dos lenços qualquer ajuda seria bem vinda.

Chegado ao final da carruagem e do seu discurso, dá meia volta e cruza novamente a multidão.

Quando ele passa, um jovem mete a mão ao bolso puxando da carteira e pergunta:

- Quanto é?

- Dois euros - estendendo o pacote de lenços de papel.

O rapaz recolhe a mão em exclamação:

- Dois euros?

- Eu tenho que ganhar qualquer coisinha!

...

Passaram-se dias.

Hoje fui ao super-mercado.

Comprei uma embalagem de 10 pacotes de lenços de papel.

0,89 euros.

Saturday, February 27, 2010

Dia 432 de 1001 :: 16+11 tarefas concluídas

21 - Dentista em 2009

Feito.

32 - Tornar a ir ao Japão

Feito.

39 - Comprar um iPhone

Feito.

40 - Juntar X euros

Feito.

46 - Trocar de portátil

Feito.

54 - Dentista em 2010

Feito.

58 - Estabelecer a minha dieta

Feito.

62 - Desenhar a casa que quero ter e estimar o seu custo

Feito.

63 - Listar e descrever o que pretendo ter na minha casa e o seu custo

Feito.

75 - Passar a trabalhar com mais um banco

Feito.

92

Esta tarefa consistia em tomar uma decisão. Foi mais difícil do que eu contava, mas eventualmente apercebi-me que a escolha era óbvia, e agora a decisão está tomada.

Feito.

Monday, November 02, 2009

Quando o fim finalmente chega...

Estava eu no Japão, feliz da vida, a escrever regularmente neste blog sobre a minha estadia no país do Sol nascente...

De repente, chegaram as notícias...

Não eram boas...

Fiquei em estado de choque...

De choque e em negação...

Parei de escrever...

Fiquei umas noites sem dormir...

Fiz de conta que tudo estava igual...

Esforcei-me imenso...

Tentei dividir-me e fechar a parte de mim que sabia a verdade...

Tentei agir como se tudo estivesse igual e não me tivessem dito nada...

Enfim, custou bastante, sabê-lo, ainda por cima com uma série de circunstâncias em volta da situação.

Não sei se escreverei sobre o assunto. Por um lado imagino que sim, porque merece ser escrito; por outro não, provavelmente só porque a dor ainda está muito recente, ou talvez por ser algo demasiado pessoal.

Em todo o caso, seria um post bem grande, do tamanho dele.

Por agora, só há uma coisa que posso dizer aqui...

Adeus, avô...

Tuesday, September 15, 2009

Mais experiências no Japão

Para alėm de muitas pequenas experiências como fazer compras num supermercado, interagir com pessoas com quem não possuo qualquer língua em comum, tentar utilizar websites completamente em japonês e até mesmo usar o metro em hora de ponta, os dias por cá têm sido preenchidos com algumas aventuras dignas de nota.

No Sábado fomos a outro estado, para uma aula de judo.

Há algo de impressionante em treinar com pessoas com quem não se consegue falar, e também com pessoas que treinam horas por dia, sete dias por semana, anos e anos a fio.



Foi divertido, educativo e extenuante. Até o pescoço me ficou a doer.

No Domingo fomos a Harajuko, como não podia deixar de ser.

Os rockabillies continuam por lá.



Hoje vão-me levar a umas cavernas.

Não sei o que são nem onde são, mas como vai ser tudo organizado pela Kaori, disse que sim e cá vou eu.

Por falar na Kaori, ela fez o jantar no Sábado: Genghis Khan.



Mais uma fantástica refeição entre um mundo de iguarias: nesse mesmo dia almoçamos um excelente Tonkatsu naquilo que eu diria ser o equivalente a uma tasca em Portugal, e ainda ontem tivémos direito a uma refeição Irlandesa, cortesia dos nossos anfitriões.

Hoje, se houver tempo, devo aceitar um outro convite para ir comer sushi, mas não será um sushi qualquer.

Já cá comi sushi melhor e pior que o que se consegue encontrar em Portugal, mas no sítio onde iremos hoje (se regressarmos cedo das cavernas) paga-se uns 100 euros por cabeça, pelo que estou expectante.

Outros possíveis planos para a semana incluem Sumo (começa agora o campeonato), Disney World (sim, cá também há disso) e Karaoke, entre mais uma série de coisas.

Não vai haver tempo para tudo certamente.

Vou ter que cá voltar.

Que chatice.

Tuesday, September 08, 2009

Primeiras fotos de Tóquio

São 5:15 da manhã e o Sol está prestes a despontar.



Hoje há algumas núvens no ar, mas nem isso estraga a vista que temos da varanda.



Mais fotos aqui.

Tóquio

Eis a minha primeira tentativa de um vídeo em Tóquio.

Amanhã faço o mesmo com luz do dia, possivelmente depois de já saber mexer um pouco mais com a funcionalidade dos vídeos.

Monday, September 07, 2009

Tóquio, a grande metrópole

Onde agora se encontra Tóquio existiam antigamente 23 cidades.

As ditas foram crescendo até se entrelaçarem umas com as outras, e eventualmente juntaram-se oficialmente para formarem uma única cidade.

Lisboa tem 84 quilómetros quadrados.

Tóquio tem 2,187 quilómetros quadrados.

Sim, é assim tão grande.

26 Lisboas juntas, com a diferença de que tem muitos mais prédios e muito mais organização.

Yokohama, a segunda maior cidade do Japão, com 437 quilómetros quadrados, também já está entrelaçada com Tóquio. Para alguém que não conheça, é impossível passar de uma cidade para outra e dar por ela.

Hoje vou tentar tirar fotos.

Sunday, September 06, 2009

A casa

Comecemos pelo edifício.

39 andares, 15 apartamentos por piso, com a excepção dos últimos, que têm menos e maiores habitações.

Os apartamentos neste edifício não são pequenos. É um prédio de luxo.

Há duas recepcionistas no hall de entrada (que mais se assemelha à entrada de um hotel de cinco estrelas, mas melhor), uma biblioteca, um ginásio, uma sala comum com enormes ecrās de televisão e cadeiras que fazem massagens, etc. Ainda não vi tudo.

Há imensos pormenores de segurança, como uma equipa de salvamento (basta carregar num dos botões de emergência e eles vêm a correr para nos salvar do que quer que seja (eu sei porque já se experimentou).

Estamos no vigésimo quarto andar, com uma vista absolutamente brutal. Há cidade a perder de vista. Ao longe, se o tempo estiver limpo, vê-se o monte Fuji.

A casa tem dois quartos grandes, uma cozinha bonita e espaçosa, uma sala de meter inveja a muita gente e mais uma série de compartimentos como o escritório e uma excelente varanda.

Só o chuveiro é maior que o meu quarto de banho em Portugal (e o dito até nāo é pequeno).

Na casa anterior da minha anfitriā, a professora de japonês dela fazia comentários sobre a dimensāo da casa: talvez tivessem uma grande família e por isso necessitariam de tanto espaço, por exemplo.

Aqui, pelos vistos, já nāo tece comentário nenhum. Resignou-se e assumiu que são ricos.

Nunca estive tão bem alojado. Acho que quando for para ir embora vāo ter que chamar a equipa de segurança para me arrastar porta fora, porque eu claramente não vou querer sair...

Directa

Levantei-me às sete da manhã de Sábado para apanhar o avião.

26 horas depois (sem nenhuma de sono) estava no Japão; a hora local era 13:00; estava cheio de sono, mas com dilema pela frente: podia ceder à tentação e ao cansaço ou podia manter-me acordado durante mais umas 11 horas para depois começar a minha estadia sem tanto jetlag.

Foi difícil, mas consegui.

Visitamos Akihabara - a cidade electrónica - e depois fomos comer carne.

E que melhor maneira de comer carne do que ir a um restaurante tão grande que ocupa um edifício inteiro de 8 pisos?

E sim, estamos a falar de um restaurante que pecava (no bom sentido) tanto em qualidade como em quantidade.

Dependendo dos pisos, o serviço é diferente; num dos pisos, por exemplo, a pessoa cozinha o seu próprio bife.

O preço é proporcional ao andar. A vista, fabulosa.

Mais posts brevemente.

Agora vou dormir.

Uma viagem como deve ser

Fizemos o check-in online.

Chegamos ao aeroporto e deixamos a bagagem no Drop-off.

Embarcamos à hora certa e fizemos uma viagem calma até Londres.

Aterramos, fomos ao balcão da Japan Airlines para fazermos o segundo check-ing e informaram-nos:

- Os senhores foram promovidos para Premium Class.

Seguiu-se um belo dum hamburguer no TGI Friday's.

Compramos um carregador e um adaptador que nos tínhamos esquecido de trazer.

Embarcamos no voo em direcção a Tóquio e sentamo-nos em duas largas e confortáveis cadeiras.

Serviram-nos comida excelente e apaparicaram-nos q.b.

Ligamos os portáteis à corrente durante a viagem e divertimo-nos bastante.

Vimos o nascer-do-Sol algures por cima da Sibéria.

Para umas belas férias, nada como um belo começo.