Wednesday, January 30, 2008

Hamburgueres e telemóveis

Cenário: Burger King.

Duas pequenas mesas juntas e nós ocupávamos uma delas. Um tabuleiro à frente de cada um e os telemóveis pousados ao nosso lado.

Nisto, um rapazito com os seus 8 anos vem até nós, pousa os braços em cima da mesa livre ao nosso lado e diz-lhe, com a voz mais meiga que conseguiu fazer:

- Pagas-me um hamburguer?

A pessoa à minha frente nem ouviu bem o que ele disse e respondeu negativamente, pensando que ele queria uma moeda.

E de repente, o rapaz faz a pergunta seguinte:

- Dás-me um telemóvel?

- Não.

O miúdo começa a apontar para os telemóveis e diz:

- Não me podes dar este?

- Não.

- E este?

- Também não.

- E este?

- Também não.

Como não havia mais telemóveis para pedir, o rapaz desistiu e seguiu caminho.

Sim, sim, eu sei. Estão a pensar "E não deram um hamburguer ao rapazito?"

Calma! Não me batam já! Eu tinha percebido a primeira pergunta do miúdo e não disse nada logo porque tinha a boca cheia quando ele chegou e depois quis ver até onde ia a conversa dos telemóveis.

De qualquer forma, não foi preciso puxar da carteira.

Há pessoas que se conseguem ler de uma ponta à outra, e a senhora que estava ao balcão e para quem o miúdo se dirigiu a seguir era uma delas.

Seria muito difícil aquela senhora, mãe há pouco tempo, prestes a fazer o seu pedido, recusar comida aquele rapazito.

Mas não se preocupem, que se tivesse recusado eu não o teria deixado passar fome.

Agora o telemóvel...