Monday, January 28, 2008

Slava class cruiser RFS Moskva :: Ou seja, um navio de guerra russo

Este fim de semana esteve cá em Lisboa o RFS Moskva, um Slava class cruiser.



Esteve aberto ao público e eu aproveitei para lá ir com uns amigos.

Um deles serviu de guia, já que sabia tudo e mais alguma coisa sobre a embarcação.

Antes de mais, alguns dados estatísticos:

- 190 metros de comprimento
- 500 tripulantes
- velocidade máxima: 34 nós (mais de 60 quilómetros por hora)
- 16 mísseis, 25 metros de comprimento cada, alcance de 500 quilómetros
- canhão duplo de alta velocidade, com projécteis de 130 milímetros, alcance de 20 quilómetros
- 1 helicóptero
- mais os lança granadas anti submarino, os jammers, os tubos de torpedos, os mísseis terra-ar, as várias AK-630, etc, etc e tal

Para além de termos guia no grupo, a visita também era guiada, pelo que recebemos ainda mais informação de que o nosso guia não dispunha, como por exemplo, sobre os exercícios que eles se encontram a fazer nesta zona do globo ("sim, sim, usamos uma ogiva nuclear nos testes, porque os alvos são tão pequenos que as ogivas não chegam a detonar").

Um pormenor interessante dos navios de guerra russos face aos outros é o facto de terem armamento em tudo quanto é espaço.



Os mísseis são um dos pontos de relevo do navio. Aqueles tubos (8 de cada lado do navio) contêm um míssel cada um. E cada um daqueles é um verdadeiro monstro.

Para vos dar uma ideia do poder daquelas coisas, os Slava foram feitos para destruir porta-aviões e, para além do apoio vital na caça a submarinos, uma das razões porque possui um helicóptero consiste em conseguir ter um ponto de visão avançado que permita detectar um porta-aviões a uns 500 quilómetros, de forma a disparar na direcção correcta.

Os mísseis são disparados na direcção certa, mas não em direcção ao alvo. Quando se aproximam, aí sim, ligam o seu sistema de direccionamento, detectam algo que se assemelhe a um porta-aviões e atiram-se a ele.

Quando estão mesmo perto do alvo, efectuam uma manobra de diversão por defeito, lançando-se ao ar, rodopiando e finalmente caíndo sobre o adversário.

O míssel entra pelo convés adentro, afunda-se no porta-aviões, e só aí é detonada a sua ogiva nuclear de 1 tonelada.

(eu não percebo muito disto, mas como a bomba de Hiroshima só tinha uma ogiva de 60 quilos, presumo que esta faça alguns estragos...)

Mas não fiquem já a pensar: "Bolas, há navios mesmo grandes e com imensa capacidade bélica..."

Sim, porque os Slava não são lá grande coisa, quando comparados com os Kirov, os seus predecessores...

Os Kirov só têm 250 metros de comprimento, só carregam mais 18 mísseis, mais 2 helicópteros, etc, etc e tal. Estes já não destruiriam apenas um porta-aviões, mas sim uma frota inteira.

Infelizmente, os Kirov eram tão caros que o risco de perder um era algo de impensável. Vai daí, a Rússia decidiu, a dada altura, fazer uns barquitos "mais pequeninos."

Mas voltemos ao Moskva.



Precauções como "ninguém se pode aproximar dos radares porque a radiação que eles emitem mata uma pessoa ao fim de uma hora" têm que ser levadas em conta, neste menino. Quando um míssel é disparado, por exemplo, o convés tem que estar desimpedido, só mesmo para evitar estar naquela atmosfera de 300 graus centígrados que se cria.
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Outro pormenor a salientar, e que já não tem nada a ver com o navio propriamente dito, foi a grande quantidade de visitantes que falava Russo; e para qualquer direcção que se olhasse, na doca, encontrava-se um marinheiro a matar saudades da família afastada.

Em suma, foi uma tarde bem passada. Obrigado pela dica, Pedro!

Mais fotos aqui.