Monday, April 28, 2008

Academia Militar

Foi há já algum tempo que passei duas semanas na Academia Militar, em formação de liderança.

Sei que tenho muitos amigos a aguardar, desde então, que escreva sobre o assunto.

Acontece que, quando as coisas são a sério, é sempre preciso algum tempo para digerir...

Eu precisei de mais de 6 meses.

Faço tenções de escrever mais sobre o assunto, mas de momento ficam algumas notas soltas.

De 0 a 20

Algures entre o 19 e o 20.

Foi sem dúvida a melhor experiência que tive até hoje a muitos níveis.

E eles, percebem do assunto?

E de que maneira.

Senão vejamos: o exército português já existe há uns 900 anos.

Qual é a principal tarefa de um exército?

Liderar.

Ora com 900 anos a liderar...

Estão a ver como os samurais eram tão bons a combater porque já o faziam há milhares de anos?

Pronto, perto de um milénio de liderança também trouxe bons resultados.

Fiquei especialmente surpreso quando me deparei com várias publicações (tanto revistas como livros) de extrema qualidade e que não chegam ao público cá fora...

Sim, há lá livros de liderança que não estão (que eu saiba) acessíveis ao público em geral.

Mas e passar a mensagem, conseguem?

Claro que conseguem, e de uma maneira mais pedagógica que muitos professores extremamente conceituados que eu já tive...

Nas 17 horas diárias de actividades (o descanso que tínhamos era para dormir, das 00h00 às 07h00, e pouco mais), tudo estava preparado ao pormenor, e muitas das actividades tinham objectivos que nos ultrapassavam.

Por exemplo: rapel australiano.

E dizem vocês: mas o que é que isso tem a ver com liderança?

À primeira vista, nada, não é?

Mas o que é certo é que as pessoas reagem de forma diferente ao stress e aos desafios.

Neste exemplo, algumas pessoas vão logo sem pensar, outras recusam-se, outras ponderam e finalmente arriscam, algumas ficam paradas a meio...

E só depois do exercício estar completo é que nos explicam o que se passou, porque desempenhámos aquela actividade, que paralelos podemos criar com o mundo profissional, e o que podemos tirar daquela experiência.

Mas espera aí... disseste... 17 horas diárias?

Sim, disse.

Foram 14 dias assim.

Como disse, tudo estava pensado ao pormenor, e essa carga horária, as actividades, as refeições, e tudo mais, não eram excepção.

Reparem... Não há melhor maneira de compreender o stress do que passar por ele...

Já me fiz entender?

Sim, senhor... Mais algum ponto de relevo, de momento?

Sim.

Um muito obrigado aos formadores e aos cadetes que nos acompanharam.

Grande experiência.